RESOLVENDO A EQUAÇÃO DO SENTIDO DA VIDA - Carta aberta a todos os que me lêem


 

Desculpem-me esta ausência, mas ela está-me a ser absolutamente necessária, e - sem dramas, nem exageros - vital.

A saúde não vai nada bem e a vida complicou-se-me de tal forma e em tão diversas e simultâneas vertentes que nem sequer podem fazer um pequena ideia.

 Estou a tentar algum apoio da segurança social, mas muitos dos problemas são praticamente insolúveis. O que é certo é que, não sendo tolinha de todo e conhecendo-me como muito poucos se conhecem, faço o possível por evitar uma depressão reactiva a todas estas esmagadoras e crescentes dificuldades, o que implica algum descanso mental e uma maior poupança das poucas energias que me ainda me restam. Não posso, nem conseguiria, mesmo que o tentasse, nestas circunstâncias, acompanhar o ritmo de produção poética, publicações, visitas e interacções que mantive nestes quase, quase oito anos de actividade online. Nem sequer o desenrolar dos acontecimentos políticos estou a conseguir acompanhar e penso que sabes quão prioritários têm sido para mim.

 O ano que vem é, para a minha vida pessoal, uma enorme incógnita, em termos de sustentabilidade, se é que a esta miséria material em que vivo se pode chamar sustentabilidade... Mas restava-me a segurança desta minha casa, a consciência de ter evoluído poeticamente - um ponto absolutamente crucial para mim, como sabem... - e o vosso apoio sempre amigo.

 Assim fui resolvendo apaixonadamente a complexa equação do sentido da vida e assim me senti cumprida e perfeitamente preenchida enquanto poeta e ser humano, talvez pela primeira vez desde o início da minha adolescência... Mas estas minhas variáveis da equação da vida tranformaram-se-me num último e inviolável reduto. Agora que mais do que uma delas está posta em causa e ameaça colapsar, todos os meus humanos limites foram ultrapassados. Desapareceram - ou irão em breve desaparecer... - as condições mínimas à minha humana sobrevivência.

 De momento, mantenho perfeitamente intacta a lucidez, claro, mas não a energia necessária para a traduzir poeticamente.

Tentarei vir até cá de quando em quando, mas fico perdida na multiplicidade dos comentários, citações e publicações e eu não sei - nem nunca soube... - fazer seja o que for sem pôr corpo e alma no que escrevo. Para o fazer quase automaticamente, contrariando os meus princípios apenas para manter as aparências e abdicando daquela qualidade que se traduz em tempo de interiorização, consciencialização, apreciação e resposta, é preferível que o não faça de todo.

Deixaria de ser quem sou se procedesse de outra forma.

 

Um abraço

 

Maria João Brito de Sousa

 

Oeiras, 10.12.2015 - 19.14h

 


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