ONTEM e GENTE DA MINHA TERRA, NA FONTE
"ONTEM, Ontem "pintei a manta"! Ontem pintei o mar de vermelho e, ao céu, povoei-o das estrelas do meu imaginário... depois, deixei-me pintar pelas cores que, anteontem, nem poderia conceber. Ontem deixei que os mal-conhecidos me pintassem, me rabiscassem, me escrevessem e grafitassem segundo as suas próprias cores. Ontem fui outra dentro de mim mesma e fui a que se pintou na outra, dentro de si. Ontem deixei que os carros se transformassem em caravelas que navegavam serenamente em direcção à ilha de Samoa. Essa, a da grande guerra, a do grito de batalha, onde, ontem, só viviam milenares tartarugas e esplêndidas gaivotas que lembravam "o coração do meu povo" percorrendo, de punho erguido, as recém-conquistadas ruas da Lisboa de Abril. Ontem os homens, erguidos do barro inicial de todas as coisas, eram, comigo, irmãos entre si. Ontem, desenganei-me, chorei e, depois, ri-me de ter chorado. Ontem, magoei-me e vinguei-me... sem rancores. Fui menina, rainha,...