Mensagens

O COMBOIO

Imagem
  Que ser era aquele? Imenso, ruidoso como um interminável trovão, atacou-me com a rapidez do raio e não parou, sequer, para me dar o golpe de misericórdia. Atirou-se a mim com a voracidade do tigre e, incompreensivelmente, não ficou para se alimentar da carne que destroçara. Que estranho ser era aquele? Levava no ventre muitos outros seres. Seres com olhos, ouvidos e mãos. Seres conflituosos, agarrados a coisas que não fazem sentido, indiferentes à dor que então me consumia. Que ser tão estranho... Não ameacei as suas crias. Não tentei conquistar as suas fêmeas. Se, acaso, invadi o seu território, fi-lo por absoluta necessidade. Procurava um desses seres que ele levava no ventre e a quem dediquei toda a minha vida. Sei que estou velho e pouco atraente. Durante esta minha insana busca, raras vezes encontrei alimento. Emagreci. Vivi muitos sóis e muitas luas alimentado, unicamente, pela certeza de voltar a encontrar o meu amigo. Aquele por quem daria – e dei – a vida. Aquele que...

SÓ NOS FALTA ...

Imagem
Imagem Pinterest Só nos falta alguém levantar-se de uma cadeira - que oportunamente cairá  - e afirmar que nos livra da guerra mas não da fome.

OBRA - Dissecação de um conceito

Imagem
Fotografia de António Pedro Brito de Sousa * OBRA - Dissecação de um conceito * (Proseando)     A criatividade – aquela que nos nasce das constantes colisões com as imprevisibilidades do espaço e do tempo, não a que nos surge mercantilisticamente formatada pelas chamadas “necessidades de mercado” - nunca foi muito amiga das burocracias, nem dos caminhos traçados por outrem... Esmagam-na as imposições, viola-no-la e inutiliza-no-la a rigidez dos protocolos. Mas engendra(se). Sempre.   Venho de uma geração que privilegiou o utilitário, sem nunca ter deixado que lhe fossem arrancadas as raízes primordiais do sonho e do espanto. A fornada perfeitamente necessária àquele tempo, neste espaço. Sou, portanto, dessa “fornada”, uma peçazinha claramente nascida para a produção ao nível das artes e das ciências a quem, porém, uma vez enredada na teia social, acabaram por ficar vedadas todas as formas de se tornar verdadeiramente útil e de preencher com o s...

ORA, ORA...

Imagem
Fotografia de Carlos Ricardo * Ora, ora...  A mente humana só pode sobreviver através da procura da verdade, ainda que sabendo que jamais a encontrará.   Eu

PACIÊNCIA

Imagem
  PACIÊNCIA * O escritor levanta-se, espreguiça-se, sonda o horizonte e faz-se ao caminho * É importante que se diga que este escritor escreve poesia. É importante que se saiba que este escritor é, portanto, um poeta. * A caminho, este poeta evoca a palavra poesia Toma-lhe o peso. Prova-a Humaniza-a e veste-a com um p maiúsculo * Observa atentamente o resultado Reconhece que alguns erros de leitura possam ocorrer, aqui e além. Aceita que alguns olhos afirmem ver um p de possidónio onde ele colocara um p de pessoa.  *       Paciência * Maria João Brito de Sousa, 31.07.2018 – 17.19h  

COM UMA PERNA ÀS COSTAS

Imagem
Tela de minha autoria COM UMA PERNA ÀS COSTAS * Nós, os apaixonados operários do soneto clássico, não temos sido nada poupados pelos críticos modernistas e pós-modernistas de todo o mundo.   Acusam-nos de repetir o mesmo ram-ram-ram ao longo dos séculos e e nquanto servidores do ser humano através da poesia, cabe-nos provar que o Soneto, ainda que formalmente intocável, é tão plástico e tão versátil que é capaz de conter em si todos os estilos de todos os tempos.   Querem ideias capazes de construir e desconstruir tudo e mais alguma coisa? O soneto tem-nas! Querem máquinas de viajar no tempo capazes de alcançar o futuro? O soneto fá-lo!    O soneto é a fórmula literária mais próxima da perfeição e ainda não descobri nenhuma grande inovação que ele não ultrapassasse. Com uma perna às costas.     Maria João Brito de Sousa - 19.07.2018