CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA NOITE DE CÃIBRAS
Merda para as questões que nunca me puseram! Um soprozinho de nada, a arder por dentro dos sentidos, um arrepio qualquer no virar da esquina de uma frase ambígua, um toque de raspão onde a colisão das decisões deveria impor-se. Coisas, demasiadas coisas por dizer num universo inteiro de intuições evitáveis. Falta-me tempo e eles não podem sabê-lo. Falta-me vida onde descrêem da mera ousadia. A palavra, por vezes, treme-me na agonia dos dedos crispados, desequilibra-se e estatela-se desfeita nos cacos da chávena de chá. Assim a bebo, assim a sirvo – quando a quereria intacta, mesmo que menos útil… – apenas aromatizada pela breve, breve memória das ilusões que há muito deixei de comprar na loja falida das coisas demasiadamente supérfluas para se tornarem duradouras. Nas ruas mais ou menos degradadas do meu corpo cruzam-se, a cada instante, homens, mulheres e crianças cobertos de todas as fomes, de todas as sedes. Nenhum egoísmo – do pouco que me resta nas prateleiras do armáriozinho...