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A mostrar mensagens de maio, 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA NOITE DE CÃIBRAS

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    Merda para as questões que nunca me puseram! Um soprozinho de nada, a arder por dentro dos sentidos, um arrepio qualquer no virar da esquina de uma frase ambígua, um toque de raspão onde a colisão das decisões deveria impor-se. Coisas, demasiadas coisas por dizer num universo inteiro de intuições evitáveis. Falta-me tempo e eles não podem sabê-lo. Falta-me vida onde descrêem da mera ousadia. A palavra, por vezes, treme-me na agonia dos dedos crispados, desequilibra-se e estatela-se desfeita nos cacos da chávena de chá. Assim a bebo, assim a sirvo – quando a quereria intacta, mesmo que menos útil… – apenas aromatizada pela breve, breve memória das ilusões que há muito deixei de comprar na loja falida das coisas demasiadamente supérfluas para se tornarem duradouras. Nas ruas mais ou menos degradadas do meu corpo cruzam-se, a cada instante, homens, mulheres e crianças cobertos de todas as fomes, de todas as sedes. Nenhum egoísmo – do pouco que me resta nas prateleiras do armáriozinho...

CARTA MUITO ANTIGA A UM AMIGO URGENTE

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  Curto muito a minha “panca”, meu caro. Assumo-a e jamais me demitirei dela. (merda! Entornei o garoto e deixei cair a palhinha…) Neste vigésimo terceiro dia do mês da Loucura da Era do Ovo, gostaria de dizer-te – e dir-to-ei! – que apenas me sinto grata e que, para mim, a gratidão é um sentimento, no mínimo, deplorável. Dir-te-ei, também, que estou desiludida… mas, disso não tens tu culpa… estou, muito provavelmente, desiludida comigo mesma. És apenas um homem e, na verdade, nunca me pediste as asas que, amorosa e estupidamente, fui tecendo para ti. Homem, esta minha “panca” – não tenciono demitir-me dela, repito! – queria, de mim, que tu voasses… que queres? Eu bem te tinha avisado… E queria mais, esta minha assumidíssima imitação de loucura! Queria que fosses o irmão que nunca tive, o menino que partiu, o poeta que não és… e talvez (?) te quisesse a ti também… sempre no pretérito mais-que-perfeito do verbo impossível, imagina! Não te preocupes. Não enlouqueci de vez. É que esta luc...