EM CONVERSA...
.... Quanto à métrica... (porque ando desde ontem com isto na cabeça...), ela chama-se assim por convenção literária e para facilitar o estudo da poesia, não para que olhemos para ela como uma imposição de regras superiormente impostas por meia dúzia de conhecedores e sim porque esses "conhecedores"/estudiosos/investigadores a foram descobrindo, na sua musicalidade, na própria poesia que analisaram. Se as pessoas pudessem entender isto não haveria tanta má vontade para com os poetas da poesia metrificada... já ouvi de tudo! Até há quem pense - imagina! - que temos de construir os poemas à força, obedecendo - por mera subserviência, pensam alguns... - às "regras"... como se os poemas, na sua musicalidade, não fluissem quase sozinhos, ao som dessa mesma partitura invisível. Claro que, no final, há que fazer uma revisão atenta, mas... essa processa-se quase sempre muito mais ao nível da plasticidade sintática do que ao da métrica propriamente dita... até podem levar-se horas a optimizar sintaticamente um soneto. Já me aconteceu e foram sempre horas que nunca considerei perdidas porque a poesia teve, tem e terá sempre uma função importantíssima na semi-vida de uma língua... e deve ser didática. Mesmo a poesia popular, com todas as suas características próprias e tão magnificamente ritmada, o é e sempre o foi, tanto quanto a erudita. E isto que fique bem claro diante dos tantos que a desprezam! Se a desprezam, fazem-no porque são profundamente ignorantes.
Maria João Brito de Sousa - 30.10.2015
Gravura de Cipriano Dourado
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