SÃO ROSAS, SENHORA...


Ninguém ouve uma pedra,


depois de lançadas as primeira flores,


e um poema opõe escudos de papel


ao aço da má vontade


sempre que inicia uma batalha


no eterno e móvel palco da criatividade


 


 


Debruço-me


sobre a guerra


sistematicamente perdida


entre a rima desgastada,


a metáfora a garrote, forçada,


e a impudícia do arrojo poético de cada dia


 


 


Prevejo a batalha em três frentes


que a poesia enfrentará


a curto prazo


e que a inércia manterá acesa


por gerações e gerações


de versos desgastados pela ausência


de génio, de suor, de leito favorável…


 


 


Ah, estrofes mancas,


geneticamente obedientes,


melodiosas como a colisão


de dois camiões carregados de vidro


ou nitroglicerina…


 


 


Como se a fome fosse sempre igual


e, subitamente, inventasse uma saída,


revolto-me e atiro na direcção oposta,


 


Mas


 


não morro de amores por mim mesma


nos instantes em que visto


o uniforme da crítica implacável!


 


 


(…satisfaz-me,


no entanto, a raivazinha velada


que hoje me levou a dedicar estas linhas


à imperatriz da omnipresente austeridade…)


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 12.11.2012 – 13.57h

Comentários

  1. e adorável raivazinha velada
    assim de encantado sabor...caramba MJ

    boa e feliz noite de aqui dos calhaus...bjo

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    Respostas
    1. Foi um suspiro fundo... não costumo servir-me assim, tão abundantemente, da metáfora irónica... mas esta não é uma ironia brincalhona, Anjo! Precisei dela como de respirar...

      Feliz noite para ti!

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    2. só quem sabe de si
      se queixa....

      feliz noite e também para o teu fungágá

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    3. O meu fungagá anda tão gelado quanto eu... mas eu dou-lhes mais umas festinhas por ti

      Feliz noite!

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  2. Respostas
    1. Bela noite para ti, Anjo!

      À meia noite entro em greve e ainda quero responder ao Poeta Zarolho... não te vou poder visitar hoje nem amanhã, mas desejo-te um bom dia de luta!

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  3. É imprescindível vestirmos o "uniforme da crítica (construtiva) implacável", agora mais do que nunca, "contra o aço da má vontade"

    Excelente poema!

    Siga-nos em Universo de Paralelos, um blog generalista que teríamos todo o gosto em ser seus companheiros de blogosfera! Ficamos a aguardar

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Universo de Paralelos!

      O momento não é o ideal porque estou doente - doença crónica degenerativa, daquelas que não regridem mesmo - e estou a dar tudo por tudo apenas para manter actualizado o meu blog do soneto em decassílabo heróico - por vezes em verso eneassilábico - e a minha página do Face. Prometo visitar-vos e abro-vos a porta à minha produção mais actualizada

      http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/ ou
      http://pekenasutopias.blogspot.com/


      O meu abraço!

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