Claro, Golimix! O que se vai vendo, nestas coisas, é sempre a ponta do icebergue... mas é assim que funciona o capitalismo e é por isso que eu não acredito que ele tenha "cura" possível...
Que ser era aquele? Imenso, ruidoso como um interminável trovão, atacou-me com a rapidez do raio e não parou, sequer, para me dar o golpe de misericórdia. Atirou-se a mim com a voracidade do tigre e, incompreensivelmente, não ficou para se alimentar da carne que destroçara. Que estranho ser era aquele? Levava no ventre muitos outros seres. Seres com olhos, ouvidos e mãos. Seres conflituosos, agarrados a coisas que não fazem sentido, indiferentes à dor que então me consumia. Que ser tão estranho... Não ameacei as suas crias. Não tentei conquistar as suas fêmeas. Se, acaso, invadi o seu território, fi-lo por absoluta necessidade. Procurava um desses seres que ele levava no ventre e a quem dediquei toda a minha vida. Sei que estou velho e pouco atraente. Durante esta minha insana busca, raras vezes encontrei alimento. Emagreci. Vivi muitos sóis e muitas luas alimentado, unicamente, pela certeza de voltar a encontrar o meu amigo. Aquele por quem daria – e dei – a vida. Aquele que...
Tela de Zoran Usoric * Não sou uma writer de graffiti. Nunca o fui embora, quando menina, me tivesse sido permitido - e até encorajado... - desenhar e pintar as paredes da casa do meu avô poeta. Também não tinha ouvido - ainda... - o protesto do writer que, neste preciso momento, o denuncia no ecrã do meu televisor mas sinto e sei que uma "autorização" e uma "taxa" apagarão - e empurrarão para uma ilegalidade extrema os pre varicadores/resistentes - o significado social que este tipo de arte efectivamente tem. NOTA - Nem sequer posso considerar-me suspeita de favoritismos porque a única experiência pessoal que tive, expressou-se pela negativa, gritantemente, numa das paredes da minha sala, através da "inspiração precoce" de um sobrinho meu. Maria João Brito de Sousa - 15.09.2013
DA GÉNESE DA COR * A mulher recostou-se no banco de jardim, afastou com um brusco abanão de cabeça as madeixas grisalhas que lhe cobriam o rosto, respirou fundo e retomou a escrita que deixara de lado para uma última fumaça do Português Suave. Ao longe, o mar endiabrado fazia soar o ribombar das ondas. Ela não ouvia… ou ouvia, mas interiorizava o som como se de coisa sua se tratasse. Recebera, ao nascer, esse estranho dom de se identificar com os eventos naturais. Alguns chamar-lhe-iam subjectividade. E assim era. Passavam mulheres e carros incolores, homens mais ou menos monocrómicos, folhas indefinidas e baças levadas pelo vento. Passavam os minutos no harmonioso encadeamento de todas as inevitabilidades. Só a mulher mantinha um estatismo apenas quebrado pelo ziguezaguear da caneta. Era nela e dela que as palavras jorravam em imparável torrente. Começavam num ponto bem definido do canto superior esquerdo da página e corriam, depois, em riachos que aumentavam, segundo a se...
o que vem por aí então
ResponderEliminarsó vendo
pois fugiu-lhes a razão...
Desta vez fugiu-lhes toda a réstia de decência que iam tentando aparentar, Anjo.
EliminarUm abraço amigo!
Será que não se vê que precisamos de ajuda nesta área? Pretender ter lucro é estranho! Desumano.
ResponderEliminarE muito do que não vemos e não sabemos...
Claro, Golimix! O que se vai vendo, nestas coisas, é sempre a ponta do icebergue... mas é assim que funciona o capitalismo e é por isso que eu não acredito que ele tenha "cura" possível...
EliminarBeijinho!