ESTES NÃO PAGO, NEM TOMO... MAS NÃO ME CALO!


Entre os despachos ou portarias que conferem – conferiam… - gratuitidade na aquisição de medicamentos aos portadores de doenças crónicas, encontra-se o 11387-A/2003, de 23/5, referente ao Lúpus Eritematoso Sistémico.


Durante anos beneficiei desse despacho e consegui, até hoje, sobreviver a todas as “maleitas” associadas ao SAAFs – Síndrome dos Anticorpos Anti Fosfolipídicos – que também - quis a sorte - me afecta desde sempre e foi, muito provavelmente e numa visão retrospectiva, responsável pelos cinco abortos espontâneos e os já nem sei quantos acidentes tromboembólicos que venho tendo desde os meus vinte anos. Toda esta “pieguice” vem a propósito de mais uma “inovação” do MS  com vista, suponho eu, a eliminar as tais gorduras do Sistema Nacional de Saúde…


E o que temos desta vez? Temos – ah, temos, temos! – um recuo nos benefícios com que se tentavam minimizar os custos para  as vidas, já de si complicadas, dos portadores de doenças crónicas, retirando a muitos deles a possibilidade de adquirirem medicação que lhes permita a sobrevivência com um mínimo de dignidade e o menor sofrimento possível. Para a maioria dos que não puderem continuar a equilibrar as suas dislipidémias, hipertensões, quadros de osteopenia e tantos mais, associados tanto à patologia quanto à própria acção de alguns dos medicamentos essenciais à manutenção de parâmetros vitais  e de valores analíticos estáveis, esta "atitude" redundará numa fortíssima queda da esperança de vida e num verdadeiro atentado à sua qualidade.  


Não estou ainda segura de quantas e “que” substâncias terapêuticas deixaram de ser abrangidas pelo regime de gratuitidade. Esta medicação é, por norma, fornecida em receituário triplamente impresso, com a validade de seis meses, e eu ainda tenho um pouco mais do que os seis meses para protestar… mas fá-lo-ei! Fá-lo-ei a multiplicar por mil, se necessário for, por todos aqueles que irão, pura e simplesmente, desistir de sobreviver a mais esta medida do neoliberalismo que nos (des)governa!


 




 


Maria João Brito de Sousa – 15.02.2012 – 19.26h


 


 


 


NOTA - Apenas uma das substâncias terapêuticas, das três que ontem me foram receitadas, mantém a portaria (despacho) que garante a gratuitidade.




 

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