SEM TÍTULO


 


 


Parou, olhou, rodou ligeiramente sobre os calcanhares e aspirou o ar frutado de uma tarde pontuada pelo trinar dos melros. Respondeu-lhes, como sempre, alheia a quem passasse. Não exactamente porque passava alguém… apenas alheia, apenas por gostar de si mesma, do aroma da tarde e do canto das aves… e ninguém que entendesse o que naquele instante se passava, poderia impor-lhe a ideia de que pudesse haver uma coisa mais importante para fazer ou sentir.Ninguém.


Afinal, descobrir o canto dos melros no aroma frutado de uma tarde de Abril, para ela – e dela se tratava – era tão imprescindível quanto para outros pode ser o acto de respirar e ela sempre assumira os girassóis que há muito tempo lhe haviam germinado por dentro.


 


 


 


PS -


Desculpem-lhe a falta de título. Não repararam? Pouco importa… é tão só mais um texto de amor, ligeiramente menos ridículo do que as cartas amor e ligeiramente menos óbvio, também. O seu pior defeito é execrar o vulgar ao ponto da náusea. Mata-o sempre que possível, por pura questão de reacção, direi… química. Química, saudável e, sem sombra de dúvida, desejável. No que à literatura diz respeito, claro.


 


 


Maria João Brito de Sousa – 20.04.2011 – 19.44h

Comentários

  1. Pode não ter titulo, mas tem o que é mais importante: sentimento :)

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    1. :) Muito obrigada! É isso mesmo... isto nem se consegue encaixar numa categoria literária... é mesmo um sentimento que me passou para os dedos e deles para as teclas...
      Abraço! :)

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  2. E não serão os sentimentos, as coisas mais importantes a se passar para as teclas? :))

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    1. :) Olá, Ivete! Sim, tens razão. Embora existam muitas vertentes linguísticas para investir e trabalhar um texto, sem sentimento nem vale a pena escrevê-lo... pelo menos é assim que eu penso e, pelos vistos, tu também :)
      Abraço grande!

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