Tela de Zoran Usoric * Não sou uma writer de graffiti. Nunca o fui embora, quando menina, me tivesse sido permitido - e até encorajado... - desenhar e pintar as paredes da casa do meu avô poeta. Também não tinha ouvido - ainda... - o protesto do writer que, neste preciso momento, o denuncia no ecrã do meu televisor mas sinto e sei que uma "autorização" e uma "taxa" apagarão - e empurrarão para uma ilegalidade extrema os pre varicadores/resistentes - o significado social que este tipo de arte efectivamente tem. NOTA - Nem sequer posso considerar-me suspeita de favoritismos porque a única experiência pessoal que tive, expressou-se pela negativa, gritantemente, numa das paredes da minha sala, através da "inspiração precoce" de um sobrinho meu. Maria João Brito de Sousa - 15.09.2013
DA GÉNESE DA COR * A mulher recostou-se no banco de jardim, afastou com um brusco abanão de cabeça as madeixas grisalhas que lhe cobriam o rosto, respirou fundo e retomou a escrita que deixara de lado para uma última fumaça do Português Suave. Ao longe, o mar endiabrado fazia soar o ribombar das ondas. Ela não ouvia… ou ouvia, mas interiorizava o som como se de coisa sua se tratasse. Recebera, ao nascer, esse estranho dom de se identificar com os eventos naturais. Alguns chamar-lhe-iam subjectividade. E assim era. Passavam mulheres e carros incolores, homens mais ou menos monocrómicos, folhas indefinidas e baças levadas pelo vento. Passavam os minutos no harmonioso encadeamento de todas as inevitabilidades. Só a mulher mantinha um estatismo apenas quebrado pelo ziguezaguear da caneta. Era nela e dela que as palavras jorravam em imparável torrente. Começavam num ponto bem definido do canto superior esquerdo da página e corriam, depois, em riachos que aumentavam, segundo a se...
Só um louco acreditará que se pode nascer, viver e morrer sem mudar o mundo. É mais do que evidente que cada um dos nossos mais automáticos gestos o vai mudando invariavelmente e que, mesmo depois de termos morrido, ele continuará a mudar, ainda que proporcionalmente ao quase nada que cada um de nós fez, ou deixou de fazer. Nunca entendi - ou entendi, mas fui-me rindo baixinho e com gosto... - os que afirmam que só os loucos pensam que podem mudar o mundo, quando a realidade nos mostra, a cada segundo, exactamente o contrário. De qualquer forma, pouco importa ao mundo que entendas, ou não, que te é perfeitamente impossível existir sem nele deixares a tua pegada e sem, portanto, o alterares um pouco. Importante, verdadeiramente importante, será tão só a orientação/direcção da tua intenção de mudança. Trata, pois, de defini-la bem, caso tudo isto seja novo para ti, e... Boas Festas! Maria João Brito de Sousa - 19.12.2015
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