Que ser era aquele? Imenso, ruidoso como um interminável trovão, atacou-me com a rapidez do raio e não parou, sequer, para me dar o golpe de misericórdia. Atirou-se a mim com a voracidade do tigre e, incompreensivelmente, não ficou para se alimentar da carne que destroçara. Que estranho ser era aquele? Levava no ventre muitos outros seres. Seres com olhos, ouvidos e mãos. Seres conflituosos, agarrados a coisas que não fazem sentido, indiferentes à dor que então me consumia. Que ser tão estranho... Não ameacei as suas crias. Não tentei conquistar as suas fêmeas. Se, acaso, invadi o seu território, fi-lo por absoluta necessidade. Procurava um desses seres que ele levava no ventre e a quem dediquei toda a minha vida. Sei que estou velho e pouco atraente. Durante esta minha insana busca, raras vezes encontrei alimento. Emagreci. Vivi muitos sóis e muitas luas alimentado, unicamente, pela certeza de voltar a encontrar o meu amigo. Aquele por quem daria – e dei – a vida. Aquele que...
Eu chamar-lhe-ia: animais em vias de extinção, as cegonhas.
ResponderEliminarquando dei aulas em Alter do Chão, a caminho diário de Nisa, encontrava muitas destas habitações e destes habitantes. Era uma dádiva da natureza poder ver pássaros tão raros e o sítio mais incrível aonde faziam os ninhos!
É pena que os humanos os façam desertar e desaparecer!
São, com efeito, aves magníficas! Tenho pena de muitas coisas que, no dia a dia, parecemos não entender... ou não querer entender. A curto prazo, penso eu... . "As cegonhas incomodam? Matam-se!" Infelizmente é assim que fazemos, na maioria das vezes. Também o fazemos com os pombos e , segundo temo, vamos começar a fazer também com as gaivotas...
EliminarAbraço!